segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Do contra

Nasci quando todos morreram,
Morri quando todos nasceram,
Cresci, pois, quando envelheceram,
Envelheci quando cresceram

Chorei quando, então, todos riam,
E ri quando todos choravam,
Amei quando todos odiavam,
Odiei quando todos amavam

Falei quando todos pensavam,
Pensei enquanto eles falavam,
Calei-me quando eles cantavam,
Cantei quando, pois, se calavam

Subi quando todos desceram,
Desci quando todos subiram,
Parti quando todos chegaram,
Cheguei quando todos partiram

Ajudei quando desprezaram,
Desprezei, pois, quando ajudaram,
Naveguei enquanto encalharam,
Encalhei quando navegaram

Liguei quando eles desligaram,
Desliguei quando eles ligaram,
Afirmei quando, então, negaram,
Neguei quando eles afirmaram

Soneguei quando todos pagaram,
Paguei quando eles sonegaram,
Acordei quando eles dormiram,
Dormi quando, pois, acordaram

E assim cresci dessa maneira,
Sendo sempre contrariado,
E a quem não gostar do poema,

Eu lhe direi: muito obrigado.

Família real

Que família louca é essa,
Vinda, pois, de Portugal,
Fugindo Napoleão,
Esconderijo fatal

Temos D. Maria,
A louca mãe de D. João,
Faleceu esclerosada,
Passando pra ele o “bastão”

D. João era um porco,
Só pensava em comer,
Beijavam-lhe a mão “de frango”,
Que em seu bolso ia se esconder

D. Pedro proclamou,
A independência do Brasil,
Contrariando seu pai,
Fez este gesto varonil

D. Pedro com complicações,
Em seu trono imperial,
Deixou seu filho Pedrinho,
Como patrono imperial

Pedrinho teve filhos,
E, destes, então, nasceu,
A princesa Isabel,
Que a Lei Áurea escreveu

Essa, então, é a louca história,
Dessa família real,
Que fez Portugal, Brasil,

E, também, Brasil, Portugal.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Visão de poeta

Uma visão bem diferente,
Pode ser ou não correta,
Mas exprime o que eu sinto,
É a visão de poeta

Vejo o mundo mais feliz,
Com mais amor e alegria,
E para opinar sobre tudo,
Vivo fazendo poesia

Faço crítica de um tudo,
Luto contra o que é errado,
Porém tem um lado meu,
Que é o mais apaixonado

Muita gente não entende,
O que o poeta pensa e diz,
Mas confesso a quem quiser,
Ser poeta é ser feliz.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

O esperado

O esperado não acontecera,
E a moça chorou lágrimas salgadas,
E a vela chorou lágrimas de cera,
Antes que o vento a deixasse apagada.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Ode à Capitu

Ah, Capitu!
Musa de Machado,
Deusa de Bentinho,
Amiga de Escobar,
Minha razão de viver.
Embebedo-me em meio aos teus olhos de ressaca,
E me imagino navegando no mar de teu coração.
Quem me dera pentear-te os cabelos,
Fazê-los em duas tranças longas,
Que se unem numa só,
Formando a unidade do meu amor.
Oh, olhos de cigana oblíqua e dissimulada,
Observes o quanto vos admiro,
E o quanto me sinto feliz,
Quando vos lançam a mim.
Ah, pudera eu entrar no clássico,
Atravessar a porta dos quintais,
E ver-te cosendo o vestido azul.
Queria eu, ter nascido anos antes,
Para, de tua boca, sentir o sabor.
Não vá, pequena Capitu
Fique para sempre ao meu lado,
Guiando-me com tua luz,
Na escuridão da vida.
Não vá.
Pois, quando fores,
Levarás contigo,
Minha razão de viver.

domingo, 31 de janeiro de 2016

Tempo de eleição

Nesse ano, pois, de eleição,
Acelera o coração,
Só de parar pra pensar

Não se possui ninguém,
Nem aqui, nem em Belém,
Que se possa confiar

Tem aquele candidato,
Um tal de Senhor Renato,
Que suborna os eleitores

Aparece na tevê,
Ele diz e o povo crê,
Promete falsos favores

Vamos, pois, tomar juízo,
Parar de dar prejuízo,
Para o nosso bom país

Dar, pois, o voto secreto,
Ao candidato correto,
Para a gente ser feliz.

Cartas do amor demais

A Maria Julieta e Carlos Drummond de Andrade

Pai e filha, relação,
Entre cartas pela vida,
Desde criança pequena,
Até a hora da partida

Férias em Belo Horizonte,
Buenos Aires, casamento,
Separação e três filhos,
As tristezas e tormentos

Poemas e muitas crônicas,
Saudade tamanha, imensa,
Conselhos, abraços, beijos,
E uma fiel companheira,
Sendo a eterna recompensa

Porém num tão triste dia,
Deixou-nos a moça bela,
Seu pai, mui triste e abalado,
Pediu um favor a ela:

 - Que me leve junto a ti,
Ordeno-te suplicante,
Dê-me um último presente,
Um infarte fulminante

E assim como ele pediu,
Após duros 12 dias,
Foi para o céu encontrar,
Com sua grande alegria.

sábado, 30 de janeiro de 2016

Jeito

Um jeito bom de viver,
Esta vida,
Concedida por Deus,
É saber que não há perder,
O que há, é deixar de ganhar,
Mas, independente disso, 
Amar.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

FOTOPOESIA - 14



E tijolo por tijolo,
Colocados como num desenho ilógico,
Formaram a casa onde o amor habitaria.
A casa do amor não é preciso ser perfeita,

Pois ele já é e pra sempre será.

(créditos a fotógrafa Luara Priete Ribeiro Copetti)

FOTOPOESIA - 13



E o astro-rei foi-se descansar,
Deixando o céu vago para a lua.
E o laranja que tomou conta do horizonte,
Era o “Adeus, nos vemos amanhã!”
E assim terminou o dia,

Nas terras pra lá da montanha.

(créditos a fotógrafa Luara Priete Ribeiro Copetti)