"Na palavra vida perdi, na palavra morte ganhei, na palavra nada me vi, na palavra poesia parei."
quinta-feira, 29 de dezembro de 2016
terça-feira, 13 de dezembro de 2016
segunda-feira, 18 de julho de 2016
Experiência
O corpo em dormência,
E a alma em carência,
Suspiram demência,
Refletem ciência,
E na confluência,
De uma experiência,
Com muita decência,
Assumem gerência,
Numa residência,
Com muita fluência,
Pouca paciência.
Sem perder essência,
Tão pouco aparência,
Na certa cadência,
Na pura inocência,
E sem turbulência,
Com benevolência,
Com grandiloquência,
Fazem referência,
À não-violência,
Com muita clemência.
E na transferência,
Dessa resistência,
Geram excelência,
E mui competência,
Na subsistência,
Pois, da consciência,
Da doce existência,
De uma adolescência.
terça-feira, 12 de julho de 2016
!
Dormem no céu os
leitores de olhares!
Pr’o mar foram os
valores humanos!
Bandeira tem o mapa
de Pasárgada!
Na memória vão os
passados anos!
O vento levou o riso
da menina!
Não escrevo, rio ou
choro um poema!
Rebelde sou por isso
eu amo o mundo!
Certezas... Esse sim
um belo tema!
O sal é triste e está
no mar, nas lágrimas!
Nada será do corpo
sem a alma!
Nada se ganha em
lembrar do que é findo!
Reze com fé enquanto
queima a palma!
Somente o agora é o
que interessa a nós!
Um novo amor se
esconde no horizonte!
Tudo era nada antes
do “Big Bang”!
Como um cinto, cortou
o rio, a ponte!
A todos nós sorri a
Mona Lisa!
A morte é outra vida
mui bonita!
O amor, ao mundo
todo, pode unir!
O ferro escorre
d’alma da hematita!
As almas vêem-se no
café, no céu!
O meu amor mora no
fim do universo!
A paz já reina e
sempre reinará!
Assim será o meu
derradeiro verso!
segunda-feira, 11 de julho de 2016
?
Onde dormem os
leitores de olhares?
Pr ’onde foram os
valores humanos?
Quem tem em mãos o
mapa de Pasárgada?
Por onde passam os
passados anos?
Quem roubou o sorriso
da menina?
Como eu consigo
escrever um poema?
Por que insisto em
ter amor ao mundo?
Dúvidas... Será esse
um belo tema?
Por que, salgados,
são o mar e as lágrimas?
O que será do corpo
sem a alma?
Pra que recordar do
que já se é findo?
Como parar chuva
queimando a palma?
Depois do agora o que
será de nós?
O que se esconde além
de um horizonte?
Como era o tudo antes
do “Big Bang”?
Como fragmentou o
riacho, a ponte?
Pra quem sorri, de
leve, a Mona Lisa?
Por que há morte, se
a vida é bonita?
Como consegue o amor,
a dois, unir?
Por onde sai o ferro
da hematita?
Onde se encontram as
almas no céu?
Quem é que mora no
fim do universo?
Será que a paz, um
dia, reinará?
Como será o meu derradeiro verso?
quinta-feira, 30 de junho de 2016
A vida do sentinela
Andando pelas ruas da cidade, cada dia
percebo algo novo que, ora transformo em poesia ou crônica, ora guardo
secretamente no coração como uma lição de vida. E hoje, ao passar em frente ao
13º regimento de cavalaria de minha cidade, deparei-me com uma cena quase nunca
percebida pelas pessoas apressadas que, driblando o tempo, o dinheiro e a felicidade, são capazes de tudo para
fortalecer esse sistema capitalista desumano que se encontra numa forte crise:
um soldado, em sua torre octogonal observava a vida da rua.
Incumbido, por alguém
de cargo militar superior, a fixar sua visão sobre a parte externa do
regimento, agindo caso houvesse alguma tentativa de invasão, o que acho um
tanto quanto insana, visto que ninguém em sã consciência tentaria invadir um
local dirigido e protegido por militares. E ele olhava, sem expressão, para a
vida que corria à sua frente. Via de um lado o casal de idosos atravessando a
rua, enquanto do outro, jovens, com mochilas nas costas e cartolinas pintadas, anunciavam
uma mudança no cenário federal.
Talvez ele pensasse
que seria inútil alertá-los que nada mudaria instantaneamente. O governo ainda
será mantido durante um bom tempo sob a regência de seres corruptos que
pregarão a utopia enquanto fartarão os bolsos de dinheiro público. Mas os
deixem gritar e perturbar os mais velhos com suas ideias revolucionárias,
concluiria. Para ele tanto fazia, afinal quem se importa realmente com as
opiniões de um soldado, pensou. Ele observava cada detalhe da paisagem que
mudara com a chegada do outono, as folhas caindo dos ipês, os troncos nus
mostrando a impassibilidade que os dominava e dominava também o coração de
chumbo dele.
E assim passavam-se
dias e noites, semanas, meses, estações. O soldado sempre na guarita,
imponente, porém oculto, camuflado, pronto para agir na guerra, contudo sem
ação para o mundo que o cerca: o amor, as amizades, e os momentos que fazem a
vida valer a pena. As atenções do povo se curvam, atualmente, ao comércio, às
liquidações fora de época e à televisão, que com sua mídia controladora censura
o conhecimento que é direito de todo e qualquer cidadão. Porém a minha, hoje,
abdicou a tudo isso para demonstrar que existe uma vida, muitas vezes oprimida
e desvalorizada, mas que deve ser reconhecida e estimada, tratando-se, em
muitos casos, da única oportunidade que o jovem menos favorecido encontra como
forma de garantir um futuro, que habita um mísero octógono na ponta do muro do
regimento, e que ali forma sua consciência de mundo e de valores: o humilde e
patriota sentinela.
segunda-feira, 27 de junho de 2016
Ao tempo
Relógios do mundo, parai.
Rotação dos astros, cessai.
Deem-me a chance de poder respirar.
Tempo, que passa como luz,
Vida que nasce morrendo,
Deem-me a chance de poder amar.
Tu, imperialista universal,
Inevitável a qualquer matéria,
E até mesmo à ausência dela,
Seja digno de teu nome e dê-me tempo.
Tempo, eu quero tempo,
Antes que o tempo mude,
E desça, molhando nosso solo gasto,
As lágrimas de um povo que clama por liberdade.
As folhas caem, as flores brotam,
Enchendo de alegria todo o jardim.
O outono chega, e os troncos ficam nus.
A chuva cai, desce o leito fluvial,
Deságua no oceano e evapora,
Levando consigo nossas tristezas e decepções.
Tu, e somente tu, és capaz de fazer com que,
Dos primeiros grãos de terra
colocados sobre o galho do ipê,
Venha a nascer o castelo do João-de-barro.
O menino nasce, e tu fazes com que ele cresça,
Mais e mais e mais e mais,
Envelhecendo graças a tua impiedade.
És bom e ruim, és pacato e severo,
És indesejado e necessário.
Tu, tempo que agora passa,
Voando de asas abertas sobre todos,
Soprado pelo vento que vem de lá,
Anuncias o pôr do sol e o nascer da lua.
É preciso, entretanto, aprender a te amar,
Chegando assim ao segredo do saber viver.
Levas nossos amores, nossas dores,
Nossas dúvidas e certezas,
E nos prepara a cada dia para sermos,
Apesar de tudo,
Mais fortes, sábios e felizes.
E, sentado na cadeira do escritório,
Eu, na condição de teu escravo,
Aprendi que é preciso tempo para lidar com o senhor.
Peço-te um pouco de paciência.
Pois agora eu fujo do tempus fugit.
Rotação dos astros, cessai.
Deem-me a chance de poder respirar.
Tempo, que passa como luz,
Vida que nasce morrendo,
Deem-me a chance de poder amar.
Tu, imperialista universal,
Inevitável a qualquer matéria,
E até mesmo à ausência dela,
Seja digno de teu nome e dê-me tempo.
Tempo, eu quero tempo,
Antes que o tempo mude,
E desça, molhando nosso solo gasto,
As lágrimas de um povo que clama por liberdade.
As folhas caem, as flores brotam,
Enchendo de alegria todo o jardim.
O outono chega, e os troncos ficam nus.
A chuva cai, desce o leito fluvial,
Deságua no oceano e evapora,
Levando consigo nossas tristezas e decepções.
Tu, e somente tu, és capaz de fazer com que,
Dos primeiros grãos de terra
colocados sobre o galho do ipê,
Venha a nascer o castelo do João-de-barro.
O menino nasce, e tu fazes com que ele cresça,
Mais e mais e mais e mais,
Envelhecendo graças a tua impiedade.
És bom e ruim, és pacato e severo,
És indesejado e necessário.
Tu, tempo que agora passa,
Voando de asas abertas sobre todos,
Soprado pelo vento que vem de lá,
Anuncias o pôr do sol e o nascer da lua.
É preciso, entretanto, aprender a te amar,
Chegando assim ao segredo do saber viver.
Levas nossos amores, nossas dores,
Nossas dúvidas e certezas,
E nos prepara a cada dia para sermos,
Apesar de tudo,
Mais fortes, sábios e felizes.
E, sentado na cadeira do escritório,
Eu, na condição de teu escravo,
Aprendi que é preciso tempo para lidar com o senhor.
Peço-te um pouco de paciência.
Pois agora eu fujo do tempus fugit.
domingo, 5 de junho de 2016
Café
A mesa do
café estava posta.
O relógio da
sala, antigo cuco,
Herança do
avô materno,
Anunciava
cinco horas.
Lá fora o
vento soprava frio e manso,
Penteando o
topete das árvores,
Levando ao
longe tristezas e decepções.
O bem-te-vi
pousou no parapeito,
Olhou
aguçado para o bolo de fubá,
Que inundava
a saleta com seu cheiro brasileiro.
O bule de
prata majestoso se fazia,
Pois em suas
mãos estava a alma daquela simples tarde:
O café preto
que esquenta e conforta,
Quando o
bebemos reunidos em família,
Juntos como
um só indivíduo,
Abjetos ao
pecado e à maldade,
Puros,
Em viva
comunhão com a natureza.
Pois brotou,
ele, da nossa mãe-terra,
Que tanto é
explorada e consumida,
Pelo
dinheiro, pela posse e por poder.
Colhido
pelas mãos dos, já cansados,
Escravos de
um sistema sem justiça,
E saboreado
pela boca da jovem rica,
Vestida de
seda, com sapatos azuis.
Esse mesmo
café, presente naquela mesa,
E em outras
tantas deste vasto mundo,
Faz-se
bebida de inenarrável importância,
Gosto de
paz,
Cheiro de
alegria.
Ao me
embebedar com o sabor divino,
A Deus e a todos
os santos agradeço,
Porque
fizeram de mim digno de seu consumo.
Que eu
possa, nessa tarde,
Cujas flores
sorriem apaixonadas,
Pelo sol que
as banha galanteador,
Pedir por um
mundo com mais amor,
E tomar, com
fé, café.
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